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Nota: ANPUH-RS em defesa da FEE

ANPUH-RS em defesa da FEE


Na madrugada do dia 20 para o 21 de dezembro de 2016, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei de extinção em bloco de seis fundações (FEE, Fundação Piratini, CIENTEC, FDRH, FZB e Metroplan), descartando especificidades, em regime de urgência e sem o devido debate no parlamento e diálogo com a sociedade. Os trabalhadores, em brava resistência, conseguiram assegurar liminarmente seus empregos e resistem há mais de ano. O governo não teve condições de extinguir as instituições no prazo por ele mesmo estabelecido, 17 de abril de 2018.


Cumpre ressaltar que a justificativa para perpetrar as extinções reside em um cálculo contábil primário, em somas e subtrações que ignoram o valor e a contribuição de cada uma das fundações para o Rio Grande do Sul. Tudo isso sustentado por um discurso de modernização baseado em chavões e praticado no improviso.


Mas qual é a importância da FEE?


Trata-se de instituição onde se investe conhecimento interdisciplinar no desenvolvimento socioeconômico, onde se produzem estatísticas precisas e confiáveis, onde temos séries históricas e um acervo de considerável relevância. A FEE conta com um corpo técnico altamente qualificado, que abrange áreas como economia, estatística, sociologia, ciência política, geografia, relações internacionais e história. É uma desfaçatez o Estado, que necessita cercar-se das informações as mais seguras, abrir mão de sua inteligência e arriscar-se a governar sem conhecimento sobre o Rio Grande do Sul.


Há, portanto, séria ameaça de perda desse patrimônio material e principalmente intelectual. Além da interrupção de séries históricas, como a da Pesquisa de Emprego e Desemprego, aponta-se para a terceirização das estatísticas _x0096_ como em atual convênio com a FIPE, desastroso para os cofres públicos e suspeito dado que milionário e sem licitação _x0096_ e, portanto, para a perda de confiabilidade, já que os critérios serão conforme o gosto dos contratantes e não mediante a seriedade de uma instituição como a FEE.


No caso específico do campo da história é necessário apontar que pesquisas realizadas na FEE sobre a história política e econômica do estado na sua relação com o contexto nacional trouxeram contribuições importantes. Atualmente, ocorre renovação da área de história na instituição e reconstituição, após hiato, da Fundação como espaço de produção do conhecimento histórico, sob ameaça, porém, de encerramento.


Em função do exposto, a Associação Nacional de História- seção Rio Grande do Sul veementemente repudia as ações tendentes à extinção da Fundação de Economia e Estatística e demais fundações e apela para o que resta de bom senso daqueles que minimamente se preocupam com um desenvolvimento estadual embasado na pesquisa séria, impessoal e comprometida apenas com os interesses do povo do Rio Grande do Sul.


 


Diretoria da ANPUH-RS (Gestão 2016-2018)

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