A importância de ser lembrada.
Tenho certeza que Núncia Santoro de Constantino (1944-2014) estaria feliz no dia de hoje, se pudesse ter visto, seu filho Lúcio receber a placa da rua com o seu nome, das mãos do reitor da PUCRS Irmão Joaquim Clotet. Foi uma cena que emocionou a todos, especialmente as filhas Paula e Roberta, os netos Augusto, João, Vicente, Pedro e Lucas, a nora Betina e o genro Germano. Segundo Jacques Le Goff são os lugares de memória que se perpetua um outro tempo. A partir daí, penso que Porto Alegre está preservando a memória de pessoas que realmente foram significativas para cidade, nominando uma rua situada no loteamento Jardim Allegra, no Bairro Mario Quintana de Rua Prof. Dra. Núncia Santoro de Constantino.
A homenagem foi estendida a outros cinco descendentes de moraneses como ela. Seus antepassados vindos do sul da Itália, da cidade de Morano, região da Calabria que se estabeleceram em Porto Alegre. Núncia deixou registrado no seu livro autobiográfico _x0093_Caixas no Porão_x0094_, a marca (deixada pela) da família paterna destacando Luigi, avó calabrês que casou com Núncia Mancuso, de quem herdou o nome. Sua ligação com a cultura italiana foi muito forte durante sua vida. Orgulhava-se do título de Cavaliere pela Repubblica Italiana recebido em 2006.
Núncia nasceu e cresceu em Porto Alegre, cidade da qual não se cansava de (re) descobrir e, narradas através das suas incontáveis pesquisas. Foi professora da PUCRS, instituição na qual formou gerações de alunos ao longo de 40 anos de dedicação. Notabilizou-se por suas pesquisas pioneiras, pela criação de grupos de estudo articulados, traduções inéditas e, sobretudo, pela forte inserção internacional de seu trabalho sobre imigração italiana. Dedicou-se a fazer e ensinar História Oral e a narrar o cotidiano, especialmente de imigrantes e viajantes, temas de estudo para os quais dedicou-se ao longo de sua carreira.
Com ela muitos descobriram que podemos sair da "nossa terra", mas a terra nunca sai da gente. Foi uma ótima mãe, avó e professora e tinha um especial carinho com os netos, todos homens, para quem dedicou o livro. Deixou escrito uma frase que hoje fez muito sentido para mim. _x0093_(...) afinal, dizia ela (...) a mais cruel forma de morte é o esquecimento".
Se depender do extenso grupo de amigos que foi agregando ao longo de tantos anos de ensinamentos e convivência, da amada família e, agora perpetuada como nome de uma rua na cidade que foi o palco dos seus atos, Núncia jamais será esquecida, pois permanecerá viva em nossa memória e em nosso coração pela personalidade generosa e pelos frutos do seu trabalho.
Professora Douta Cláudia Musafay (PUCRS)
